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Infertilidade: como cuidar: 7 milhões de brasileiras em fase reprodutiva são vítimas da endometriose

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A doença atinge 180 milhões de mulheres no mundo e pode gerar impacto 

na qualidade de vida, na fertilidade e em planos futuros de gravidez 

 

São Paulo, março de 2015 - Acima de qualquer suspeita e com sintomas que podem passar despercebidos, a endometriose é mais comum do que se imagina. Segundo a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) a endometriose afeta de 10% a 15% das mulheres em fase reprodutiva, ou seja, cerca de 7 milhões de brasileiras são acometidas pelo problema que causa fortes dores e pode levar a infertilidade.

 

A endometriose é uma doença inflamatória que ocorre quando o tecido que reveste o útero (conhecido como endométrio), se expande fora dele, chegando a lugares onde não deveria crescer, como os ovários e a cavidade abdominal. Esse distúrbio pode surgir a partir da primeira menstruação e, por isso, recomenda-se também atenção às adolescentes. 

 

Dores pélvicas e durante a relação sexual, menstruações dolorosas, fluxo intenso e alterações no hábito intestinal (diarreia ou obstipação) e urinário indicam a possível presença dessa patologia. Hoje, a endometriose é uma das principais causas de infertilidade e não tem cura, porém existe tratamento e com o diagnóstico precoce é possível ter controle sobre a doença e até pensar em gestação.  

 

O Dr. Mauricio Abrão, professor associado do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), responsável pelo Setor de Endometriose do Hospital das Clínicas da USP e Coordenador da Clínica de Reprodução Humana do Hospital Sirio Libanês, alerta que "Mulheres que passam mais de um ano tentando engravidar e não conseguem, podem ter endometriose devido à alteração nas trompas (obstrução), ovulações imperfeitas, piora na qualidade dos óvulos ou a presença de agentes inflamatórios que dificultam a fecundação do óvulo. Com o diagnóstico precoce, elas têm opções de tratamento que minimizam os impactos no bem-estar diário e possibilita a programação de uma gravidez com tranquilidade. Em caso tardio, as trompas, que são responsáveis por conduzir o óvulo ao útero podem ser comprometidas e os hormônios e o sistema imunológico serem alterados, dificultando uma gravidez".

 

Apesar de grave e incapacitante, a endometriose ainda é desconhecida por boa parte das mulheres. Uma pesquisa de 2014, realizada pela Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE) em parceria com a Bayer, aponta que 53% das entrevistadas desconhece a endometriose. 

 

No mundo, o cenário sobre a doença é grave e afeta cerca de 180 milhões de mulheres de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda não se conhece exatamente o porquê a endometriose se desenvolve, mas é sabido que fatores imunológicos, genéticos e hormonais estão associados ao surgimento doença. Alguns estudos apontam que no passado era mais difícil identificar mulheres portadoras da endometriose, pois a doença era mal diagnosticada, as mulheres menstruavam menos porque tinham mais filhos e ficavam mais tempo amamentando. 

 

Clinicamente, na maioria dos casos, 44% das mulheres leva cerca de cinco anos reclamando sobre dores e desconfortos até chegar o diagnóstico definitivo. A recomendação para elas é observar as respostas do seu corpo e compartilhar com o ginecologista. "É importante que todas as mulheres em período reprodutivo fiquem atentas e alerte o seu médico sobre alguma anormalidade, para que uma investigação minuciosa possa ser realizada, sendo possível identificar e tratar o problema com mais rapidez", ressalta o especialista.

   

Maternidade e tratamento

 

Segundo dados da Febrasgo, de 30 a 50% das mulheres com endometriose podem ter dificuldade de engravidar, mas apesar da complexidade da doença, para as que sonham em realizar o desejo de serem mães, é possível. Entre as opções de tratamento clínico mais utilizadas está o uso de pílulas contraceptivas orais que reduzem a cólica menstrual e a dor pélvica.

Assim como a maioria das questões relacionadas à saúde da mulher, a melhor forma de prevenir a endometriose é com a conscientização para que se chegue ao diagnóstico precoce. Embora ainda não exista a cura da doença, o tratamento disponível possibilita uma rotina com qualidade de vida, bem-estar e planejamento familiar para a realização da maternidade.  

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