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Seria a Yoga uma religião?: Muitos ainda enfrentam essa dúvida

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Certa vez, na escola onde trabalho como professora de educação física, ensinei aos alunos alguns asanas durante a aula. Foi, além de uma atividade significativa para os jovens, muito divertido e pensei em repetir a dose. Mas para minha surpresa algumas mães não gostaram e uma delas foi até a escola reclamar comigo. O que ela alegava era que sua religião não permitia que a filha praticasse nada relacionado ao yoga e que não gostaria que eu a ensinasse mais nas minhas aulas.

Sem querer que o assunto terminasse em discussão, mas interessada nos argumentos da mãe, perguntei em que sentido sua crença se confrontava com o yoga. E a resposta foi mais ou menos essa: “Yoga é uma religião fora de Deus, as pessoas oram por uns deuses esquisitos - um elefante, um bicho azul que anda pelado - e cantam músicas estranhas. Além de tudo isso, as pessoas são orientadas a parar de pensar e mente vazia é oficina do diabo!”, explicou.

A resposta da boa mulher, em sua sinceridade e forma de expressão, me fez refletir. Mesmo levando-se em consideração o desconhecimento do que é meditação e os equívocos inspirados pelo preconceito e noções equivocadas em termos conceituais e históricos, suas considerações mereciam atenção.

Concordei em não ensinar mais yoga na escola para evitar aborrecimentos dessa natureza. Afinal manter um clima de colaboração é fundamental para a prática pedagógica e o tema poderia ser abordado mais adiante, depois de um trabalho consistente de informação. Mas a questão se manteve viva para mim: afinal, yoga é religião?

Quando me deparei com esta pergunta, minha resposta imediata e pré-fabricada foi negativa, seguida da clássica afirmação, igualmente mecânica e irreflexiva, de se tratava de uma filosofia de vida. A sensação de insuficiência e a necessidade de esclarecer de forma mais fundamentada minha dúvida abriram portas para vários níveis de questionamento.

Para enfrentar a pergunta, precisaria, além de reconhecer minhas limitações, lançar mão de um diálogo humilde aberto com textos, com a tradição e com outras reflexões pessoais inspiradas pela mesma busca.

A palavra religião deriva do latim, religare, que significa religar. Neste sentido trata-se de uma noção que nos chega marcado pela visão da cultura do Ocidente, com suas características próprias de crença (cosmologia), organização intelectual (teologia) e práticas (liturgia). Não existe nenhum termo em sânscrito que possa ser traduzido como religião, o que de antemão mostra a diferença que essa noção assume no âmbito da espiritualidade da Índia.

No entanto, se yoga significa união, não deixa de trazer em seu sentido primordial, a noção de religação ou que poderia indicar que são visões de mundo que habitam, ainda de que forma poética, o mesmo projeto espiritual. Religar e unir seriam metáforas de uma mesma busca pessoal, independentemente dos deuses ou das normas de cada tradição.

De acordo com Feuerstein, “o yoga não é uma religião no sentido convencional, mas uma espiritualidade, um esoterismo e um misticismo. Quando examinamos com atenção o hinduísmo, o budismo, o jainismo e o sikhismo, vimos que o yoga, via de regra, não se vincula apenas às cosmologias, mas também as crenças e práticas dessa religião”.

Já Cláudio Roberto Freire defende que “o yoga é uma forma de religião, mas no sentido que há uma transmissão de conhecimentos, a criação de um código de conduta ética e uma prática espiritual. O yoga é uma forma de ver o mundo”.

Levando-se em consideração essas definições, acredito que existem questões que apontam diferenças entre o yoga e as formas mais clássicas de religião. Na visão do Ocidente, a partir sobretudo da influência judaico-cristã, o culto de Deus é sempre marcado pela experiência da separação e da exterioridade.

As grandes religiões monoteístas abrâmicas (judaísmo, cristianismo e islamismo) falam sempre de um Deus que está fora, que tem uma relação vertical com o homem, a quem cobra devoção e obediência à Lei, e que promete a salvação após a morte.

Nessas religiões, o homem é uma criação de Deus, que o faz merecedor ou não de sua misericórdia por meio da graça do cumprimento das normas emanadas dos dogmas que são, por sua natureza, inquestionáveis. A noção de julgamento exterior é uma permanente ameaça, que se eterniza até o juízo final.

No yoga, as pessoas são manifestação do Ser Absoluto, Brahman, e não a criação de um demiurgo. Não há separação entre criador e criatura. O que buscamos ao praticar o yoga é trazer de volta esta consciência de unidade, que vai se perdendo ao longo do tempo.

Os condicionamentos sociais e psicológicos e outros desvios no caminho nos tornam ignorantes da existência plena em liberdade que nos constitui. O yoga é senda da reconquista da unidade originária.

Este caminho do yoga, independe de religião, mas está ligado ao dharma, a uma lei universal e a formas de conduta, que nos fazem agir de forma ética com todos os seres, visando sempre no bem-estar das pessoas e o ambiente a nossa volta.

A diferença entre o dharma e os preceitos das religiões do Ocidente são sutis, mas significativos. Para Miguel Homem, “o dharma assenta-se, entre outras coisas, na observação, respeito e reverência pelas leis naturais do universo.

Já na religião católica ou muçulmana existe um conceito central – o dogma. Dogma é um fato ou acontecimento assumido como verdadeiro por uma religião que, não só não pode ser demonstrado e provado, como, as mais das vezes, é até negado pela razão e conhecimento.”

Embora o Yoga apresente práticas religiosas - presença de rituais, adoração a deuses e código de conduta similar aos mandamentos -, há algo que o distingue da religião de forma profunda: a busca pelo autoconhecimento.

Diferentemente da maioria das grandes religiões, que propõem uma separação entre o universo do homem e a dimensão do sagrado, no yoga o deus está dentro de nós, ele nos habita.

É por essa via que a idéia de uma instituição “yoga”, que seria comparável com a organização “igreja”, deixa de ter sentido. O que existe são yogues que fazem a sua própria prática independentemente da formas ou métodos.

Yoga é religião? Minha resposta continua sendo não, yoga não é religião! Só que agora com argumentos para permitir uma conversa esclarecedora e respeitosa com a mãe de um aluno preocupada em oferecer o melhor a seu filho. Ou com qualquer interlocutor interessado num diálogo aberto e franco.

O praticante de yoga, independentemente da religião que decida seguir, precisa ter em mente que suas ações fazem a diferença nas suas relações com as pessoas e com o universo.

Que cada ação vai gerar outra que pode interferir no seu caminho em busca da liberdade e que não há castigo ou julgamentos para essas ações, embora seja responsável por elas.

O que devemos seguir como praticantes de yoga é algo muito singelo, que minha avó sempre dizia: Só faça aos outros aquilo que você gostaria que fizessem a você. União, o outro nome do yoga, pode ser simples assim.

Fonte: Jeane Soares Hoffman para Yoga.Pro

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