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Timidez pode ser positiva: Autora americana afirma que a instrospecção é capaz de tornar uma pessoa muito mais criativa e persistente

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Pode parecer uma ironia, mas os tímidos nunca estiveram tanto no centro das atenções. Avessos a holofotes, flashes e olhares alheios, eles viraram assunto recorrente desde que a pesquisadora e escritora americana Susan Cain lançou, no início do ano, nos Estados Unidos, o livro O Poder dos Quietos - Como os Tímidos e Introvertidos Podem Mudar um Mundo Que Não Para de Falar, recém-publicado no Brasil. O trabalho, amplamente debatido, inclusive em mesas de bar, serviu para destacar as vantagens de pertencer à turma dos que gostam de passar despercebidos. "Vivemos em um mundo tão expansivo, tão desprovido de tempo de inatividade, que perdemos de vista o nosso lado introvertido", afirma Susan. 

 

Segundo a autora, que abandonou a advocacia para dedicar-se ao estudo do tema, os mais retraídos contam com características cada vez mais valorizadas em um mundo bombardeado por informações - entre elas a criatividade, a persistência e a capacidade de analisar riscos. Com o ritmo frenético do nosso dia a dia, é difícil dedicar um tempo para soltar a imaginacão, insistir em ideias ou até refletir sobre os prós e contras de uma decisão, incluindo as relacionadas à saúde. "Os introvertidos já possuem essas características e, por conhecerem esse caminho, tendem a se sobressair", opina a escritora. 

 

Se silêncio e quietude são tidos como condição para desenvolver um trabalho que exija mente aberta e livre, Susan Cain destaca a importância desse cenário. "As pessoas que valorizam a introspecção em vez da pressão geralmente são mais criativas", diz ela. O psiquiatra Alexandre Saadeh, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, porém, aposta que a introversão é só uma característica e, portanto, não pode ser classificada como virtude ou defeito. "A maneira como o indivíduo se dispõe a lidar com essa faceta de sua personalidade é que fará diferença. Alguns sofrem discriminação ou impedimentos ao longo da vida. Outros conseguem utilizá-la para seu desenvolvimento", arremata Saadeh. 

 

Mas, afinal, será que a vantagem está com os expansivos ou com os que preferem ficar na sua? Nesse caso, é como se o jogo estivesse empatado. Um estudo do Instituto Norueguês de Saúde Pública, por exemplo, acompanhou 921 crianças com idade entre 18 meses e 12 anos e meio e concluiu que os tímidos são mais propensos a sofrer de ansiedade e depressão no início da adolescência. 

 

Na opinião de Susan Cain, a explicação para esse resultado pode vir da neurociência, o guarda-chuva do conhecimento que estuda os processos cerebrais. Pesquisas feitas no Laboratório para o Desenvolvimento Infantil, na americana Universidade Harvard, avaliaram que a amígdala, área do cérebro conhecida como centro de prazer, teria grande influência na determinação das características de introspeccão ou extroversão. "Quanto mais reativa a amígdala de uma criança, maiores tendem a ser a frequência cardíaca, a dilatação das pupilas, a tensão das cordas vocais e a liberação de cortisol, o hormônio do estresse, na sua saliva", afirma Susan. Em resumo: os pequenos agitados respondem mais aos estímulos e, por essa razão, diferentemente do que se pensa, têm um risco considerável de se tornarem adolescentes ou adultos cautelosos e introspectivos. 

 

"A resposta imediata aos reflexos cria um sentimento de alerta, que faz a pessoa recuar diante de desafios e pode ser uma fonte de ansiedade", explica Jemore Kagan, psicólogo e um dos coordenadores do trabalho de Harvard. Há cientistas que foram buscar na outra ponta do ciclo da vida, entre os bem mais maduros, uma possível relação da longevidade com a personalidade, como fez um time da Faculdade de Medicina Albert Einstein. Os pesquisadores da instituição americana avaliaram 243 voluntários com idade média de 97,6 anos - e encontraram semelhanças de temperamento nesse seleto grupo. Entre elas, o fato de que os senhores longevos costumam ser mais otimistas, menos controladores e fazem parte de uma rede social ampla. 

 

Não é o caso, porém, de os tímidos se encolherem de novo nesse debate. A seu favor, eles sempre avaliam muito bem as alternativas antes de tomar decisões, o que pode ser vital em determinadas circunstâncias. Foi o que aconteceu com o milionário americano Warren Buffett quando a Bolsa de Nova York entrou em crise, em 1999. Nessa hora, diz o megainvestidor, se tivesse entrado em pânico, como muitos de seus colegas, não enxergaria as boas oportunidades de negócio no meio do caos financeiro. Assim como Buffett, os introspectivos podem até suar frio antes de encarar uma apresentação em público, mas se dão bem ao dosar os impulsos e não se pautarem somente pela emoção diante de uma situação de risco. "Essa, aliás, foi uma característica imprescindível para o processo de evolução humana: saber refletir e avaliar", raciocina Rita Khater, professora da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, no interior paulista. Sem os mais tímidos, portanto, dificilmente teríamos chegado até aqui. 

 

Ao introvertido o que é do introvertido

Saiba como diferenciar três condições muitas vezes confundidas entre si 

 

Introspecção Determina o comportamento daqueles que tendem a permanecer mais sozinhos ou calados. São mais reflexivos, mas nem por isso deixam de interagir com os outros. 

 

Timidez Caracteriza-se por uma dificuldade para se expor diante de um número grande de pessoas. O indivíduo sofre de insegurança em suas relações sociais. 

 

Fobia social É um transtorno causado pelo medo de estar em público. O indivíduo chega ao extremo de ficar paralisado com a ideia de interação com os outros. Requer tratamento. 

 

Leia mais!

O Poder dos Quietos Editora Agir, 352 páginas R$ 22,90 

 

Quietos e célebres

Quando a introspecção está longe de ser um problema

 

FONTE: Rafael Tonon para Revista Saúde

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