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Saiba tudo sobre afta: O problema ainda não tem solução, mas pode ser amenizado

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A afta é um mistério que desafia os especialistas desde os tempos do grego Hipócrates, considerado o pai da Medicina, no século V a.C. Trata-se de uma patologia que atinge 20% da população mundial, sobretudo mulheres por causa das alterações hormonais — e começa cedo. "Dificilmente acomete um adulto que já não tenha tido o problema na infância", diz o dentista estomatologista carioca Abel Cardoso, presidente da Sociedade Brasileira de Estomatologia.

 

Impedir o surgimento das aftas é tarefa impossível. Mas que dá ao menos para evitar surtos repetidos, isso dá. Basta conhecer alguns dos agentes causadores bem identificados. Muitos deles, porém, permanecem incógnitos. Para complicar, o que provoca a afta em uma pessoa pode ser inofensivo para outra. E, por incrível que pareça, o diagnóstico nem sempre é fácil. "Em muitos casos, apesar das tentativas de prevenção, a lesão continua a surgir", afirma o gastrenterologista Paulo Resende, professor da Escola de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. É quando se acende o sinal vermelho: o câncer de boca pode ser confundido com uma afta indolor que não cicatriza.

 

Examinar a boca diante do espelho é uma boa maneira de detectar anormalidades 

Os pontos mais atingidos pelas aftas são a parte interna das bochechas, a língua e a área embaixo dela e a face interna dos lábios. "Trata-se de uma lesão autolimitada, isto é, com ou sem tratamento cicatriza após completar o ciclo, que dura de sete a 14 dias", explica a cirurgiã-dentista Joyce Duarte, de Três Pontas, Minas Gerais. Pomadas analgésicas são eficientes para aliviar a dor, mas às vezes é preciso entrar com medicamentos mais complexos, como cortisona, desde que receitados por um especialista.

 

Bochechos com própolis podem funcionar como paliativo. Já o bicarbonato de sódio é desaconselhado porque, embora tenha efeito analgésico, destrói células saudáveis da mucosa. Esqueça também a cauterização. Essa prática, bastante comum, queima a afta, mas abre uma nova lesão que demora mais a cicatrizar. 

 

Uma afta dificilmente evolui para algo mais grave. No entanto, lesões ulcerativas semelhantes podem ser sintoma de problemas hematológicos, distúrbios do aparelho digestivo, herpes e até aids. Daí a importância de uma avaliação clínica mais detalhada. A boa notícia é que o problema tende a diminuir com a idade, tornando-se raro após os 50 anos. Se apesar dos cuidados a úlcera surgir, o jeito é ter paciência e esperar que cicatrize. 

 

Listinha do mal: o que pode causar aftas

• Frutas cítricas 

• Chocolate 

• Ovo 

• Leite 

• Alimentos condimentados 

• Estresse 

• Ansiedade 

• Alergias 

• Distúrbios hematológicos 

• TPM 

• Deficiência de vitamina B12, ácido fólico e ferro 

• Predisposição genética 

• Reação auto-imune do organismo 

• Má higiene bucal 

• Traumatismos na mucosa 

 

Olha o câncer de boca! Ele pode parecer uma afta indolor  

Esse tumor está em sexto lugar no ranking dos tipos mais freqüentes e, em 90% dos casos, é provocado pelo fumo. Álcool e radiação solar nos lábios também têm culpa no cartório. Se diagnosticado a tempo, pode ser curado. Estes são os sintomas iniciais: alterações de tamanho, cor, sensibilidade, úlceras indolores que não cicatrizam, formigamento, caroços e sangramentos. "Cerca de 60% dos pacientes chegam ao médico no estágio avançado da doença", lamenta a cirurgiã-dentista Izabel Marchi, de São Paulo. Para não correr o risco, visite o dentista pelo menos uma vez por ano.

 

O ciclo da lesão: saiba como ela nasce, evolui e vai embora sem deixar vestígios  

1. A afta começa com um processo inflamatório na mucosa bucal sem uma causa precisa. No início, surge um ponto avermelhado, acompanhado de certo desconforto. Esse estágio dura de dois a três dias.

 

2. O organismo reage contra a inflamação, enviando células protetoras que, a partir do terceiro dia, formam no local uma membrana cinza-esbranquiçada rica em fibrina, substância que irá atuar na cicatrização. A afta já está formada.

 

3. Abaixo da membrana onde se formou a lesão, células infiltradas provocam a necrose da área próxima à superfície. É o auge da dor, por volta do quinto dia.

 

4. Do sétimo dia em diante, tem início o processo de cicatrização espontânea, quando o tecido da mucosa começa a ser reconstituído. A lesão vai desaparecendo aos poucos e a dor também.

 

FONTE: Revista Saúde

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