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Ecologia das relações: Como lidamos com o verde

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Artigo de Eunice Fernandes de Oliveira Hilsdorf Brito(*)

A preocupação com o meio ambiente chegou para ficar. Já não há mais quem desconheça por completo o assunto e nos sabemos donos de parcela da responsabilidade por tudo o que acontece ao nosso redor.

É grande o número de pessoas que, em suas rotinas, já adotou novos costumes. Mudanças simples, porém, significativas. O verde está na moda. Mas será que a palavra ecologia tem apenas essa cor? Por mais que esse tom sempre nos venha à cabeça quando pensamos na palavra, ecologia é mais do que isso. É, antes, a forma como lidamos com esse verde, tanto individualmente, quanto como parte da sociedade, do todo humano. Vale lembrar que a palavra ecologia vem do grego “oikos”, que significa casa, e “logos”, estudo. É o estudo da grande casa humana, de tudo o que há nela e de todos os seus ocupantes!

Por isso, podemos dizer que existe uma “ecologia” das relações humanas com a qual igualmente devemos nos preocupar. Nossa relação com o planeta terá a harmonia necessária para sua preservação apenas se, antes, como células desse grande corpo-terra, nós viermos a estabelecer uma coesão humana. Devemos adquirir tal consciência porque, então, passaremos a nos preocupar não só com o planeta que deixaremos aos nossos filhos, mas também com os filhos que entregaremos ao planeta.

Em “O Homem e Suas Viagens”, Carlos Drummond de Andrade pergunta: estará o homem equipado para a dificílima viagem de si a si mesmo, descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas a perene e insuspeitada alegria de “con-viver”? Essa é a incrível viagem. A viagem do conhecimento de si mesmo. Qual a importância das palavras do poeta? A viagem de si para si, ao contrário de acarretar o isolamento ou alheamento, nos permite enxergar em nosso interior todas as virtudes e defeitos da espécie humana. Assim, convivemos com os outros sem a necessidade do julgamento, porque nos reconheceremos reciprocamente. Nos tornamos mais compreensivos e podemos criar uma verdadeira comunhão com nossos semelhantes. A simbiose entre universo e seres humanos passa necessariamente pelo encontrar a si mesmo.

Quando pensamos na atual dinâmica da sociedade humana, na evolução que permite ao homem um domínio cada vez mais amplo dos processos de materialização de seus desejos, o alerta de Drummond mostra toda sua força. Sem uma base social forte, uma verdadeira “ecologia das pessoas”, todas nossas conquistas sempre estarão ameaçadas por reviravoltas que serão provocadas por nós mesmos, por movimentos de parcelas do agrupamento humano que foram excluídas, que se sentem insatisfeitas porque foram postas à margem.

Uma das mais perceptíveis facetas desse desenvolvimento é a do campo da tecnologia da informação. A internet, exemplo máximo, amplifica e espalha, em tempo real, as mais novas conquistas em todas as áreas do conhecimento. Permite, por exemplo, o contato direto com as diferenças culturais que nos marcam. A “floresta humana” não tem fim e, agora, bate à nossa porta; os horizontes se alcançam a toques de computador. Mas para que a multiplicidade de situações da vida não nos oprima, não nos deixe perdidos (o que provoca a intolerância, o desejo pela anulação das diferenças, impedindo a verdadeira interação), devemos empreender a viagem de que fala Drummond.

Mais uma vez: o autoconhecimento não implica em isolamento. Pelo contrário, permite a identificação, a consciência do todo, de fazermos parte de uma mesma espécie. E, assim, com todas as ferramentas que hoje temos à disposição, poderemos criar uma rede ao mesmo tempo global e local. E são redes que se fazem presente em todos os lugares e situações. Em uma empresa, por exemplo, o primeiro passo para estabelecer a unidade entre os elementos individuais é identificar os idiomas que são falados. Montar um mapa. O que existe em comum entre esses indivíduos? Quais são os valores reconhecidos? Qual é a missão pela qual todos se sentem responsáveis? Claro que sempre haverá a diferença (ela é a condição primeira), mas deve-se encontrar a identidade, o fecho de valores sintetizado por uma imagem pela qual todos estão a serviço.

Contudo, a experiência da análise da dinâmica empresarial tradicional demonstra a existência de uma frágil união entre seus membros. Uma união formal, imposta de fora para dentro, que não é orgânica. Em geral, a única preocupação é que cada um saiba “qual é seu lugar” e, ainda que assim se possa identificar a perspectiva horizontal de uma empresa, com seu capital, tecnologia, competências e habilidades, não se constrói uma verdadeira identidade, um propósito, a razão da existência, valores e visão da organização. Porque apenas dessa maneira se estabelecerá uma unidade natural onde cada semente germinará espontaneamente, em benefício de si mesma e de todos. É assim que funciona no meio ambiente e, aprendendo com a natureza, é também como devemos forjar a “ecologia das pessoas”.

Não é trabalho mágico. Milênios foram necessários para que se formassem as florestas, para que pequenas flores e grandes árvores convivessem em harmonia. Pôr em prática seu próprio conhecimento não pode ser a única missão de um novo empregado. A ele não se deve apresentar apenas seus objetivos individuais, mas, mais do que isso, mostrar-lhe qual será seu papel dentro da cultura de valores da empresa e como isso se dará em relação à contribuição das outras pessoas. É disso que se trata a “ecologia das relações”, a “ecologia das pessoas”: de uma reorganização necessária (e plenamente possível) dos espaços de nossas vizinhanças, cidades, empresas, etc… Assim, nossa grande “casa” será cuidada por inteiro, sem que reste qualquer cantinho esquecido!

 (*) Eunice Fernandes de Oliveira Hilsdorf Brito é consultora diretora-fundadora da Semilla Consultoria e Desenvolvimento de Recursos Humanos (www.semilla.com.br). E-mail eunice{at}
semilla.com.br.

Fonte: Portal EcoDebate

Colaboração de Carlos Brazil para o EcoDebate

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