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O bullying sempre existiu: Patologia social ganhou notoriedade na mídia em decorrência de casos como Columbine e Realengo.

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O bullying sempre existiu. Anos atrás as vítimas eram chamadas de CDFs,
nerds ou puxa-sacos. Eram jovens que se sentavam nas primeiras fileiras de
carteiras na sala de aula, prestavam atenção no professor e na matéria
lecionada, inquiriam e respondiam perguntas, faziam o dever de casa e,
consequentemente, tiravam boas notas. O contraponto era a "turma do fundão",
formada por rebeldes e descolados.

Os atos de bullying eram bem conhecidos. Desde o "corredor polonês", onde
vários estudantes se enfileiravam para escorraçar o alvo com alguns
petelecos, tapas e breves pontapés, a chamada "geral", até o famigerado "te
pego lá fora". A opressão era mais física do que psicológica, pois o
constrangido tinha em sua defesa o fato de ser, normalmente, melhor aluno
que seus agressores.

Claro que também tínhamos o assédio ao gordo, ao feio e ao varapau. Mas a
questão é que estas ações eram contidas em si mesmas. As escolas mantinham
"bedéis" para colocar ordem na casa e coibir atos de violência, sem falar
que ir "parar na diretoria" era temido pela maioria dos alunos.

Contudo, se o bullying ocorresse, ao chegar em casa a vítima ainda iria ter
com seus pais. Alguns poderiam dizer: "Não reaja, pois não é de sua
natureza", no melhor estilo "ofereça a outra face". Já outros argumentariam:
"Se apanhar de novo lá fora e não reagir, vai levar outra surra quando
chegar em casa".

Mas isso tudo são histórias de 30 ou mais anos atrás, tempos em que a
educação era partilhada pela igreja, a família e a escola. A igreja católica
se viu alvejada, no Brasil, pelo avanço dos evangélicos e outras religiões,
de modo que passou a se preocupar mais com seu negócio do que com seus
clientes. A família abandonou o modelo patriarcal, migrando para o nuclear.
Agora a mulher trabalha fora, acumulando a chamada dupla-jornada, ou seja,
cuidar de seu emprego e dos afazeres domésticos, sobrando menos tempo para
dar atenção aos filhos. Esta nova rotina profissional levou à desagregação
familiar. Assim, a educação foi entregue à tutela quase exclusiva da escola
que, por sua vez, também se tornou um grande negócio.

Neste quadro, coloque como tempero os conflitos de valores, a influência da
mídia e os novos paradigmas sociais. Agora temos alunos que não respeitam
professores, colegas e até os pais, pois têm grande dificuldade de lidar com
o conceito de hierarquia. O apelo ao consumo transformou pátios em
passarelas, por onde desfilam roupas e celulares. Os péssimos hábitos
alimentares promoveram o crescimento da obesidade contrastando com a
ditadura da beleza. E a cereja do bolo: a comunicação pelas redes sociais
que levam as vítimas à exposição instantânea e em larga escala.

A solução para amenizar o bullying não passa por mais regras, coerção e
punição. Passa pelo resgate dos valores e a conscientização sobre o que é
certo e o que é errado, tarefa esta da igreja, da família, da escola e
também da sociedade.



* Por: Tom Coelho  educador, conferencista e escritor com artigos publicados em
15 países. É autor de "Sete Vidas - Lições para construir seu equilíbrio
pessoal e profissional", pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro
livros. Contatos através do e-mail: tomcoelho@tomcoelho.com.br.

 

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