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Você conhece a Psicologia Positiva?: Descubra como ela atua na saúde dos relacionamentos

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Da Redação Bemzen

A Psicologia Positiva atua como base para a saúde das relações

Manter relacionamentos saudáveis e felizes, sejam eles pessoais ou profissionais, é um desafio na vida de qualquer pessoa. Segundo Daniela Levy, psicóloga que está à frente da Associação de Psicologia Positiva da América Latina (APPAL), esta ciência pode tornar tal tarefa mais fácil.

A psicologia tradicional, como se conhece, sempre orientou o seu trabalho pela ótica da doença, de forma a estudar os defeitos e patologias das pessoas, pois desenvolve seu olhar exclusivamente em direção ao caráter disfuncional da pessoa. Novos estudos começaram a questionar está visão incompleta do ser humano, surgindo outras ciências que se dedicam a totalidade humana, como a Psicologia Positiva.
 
A Psicologia Positiva – como o próprio nome diz – é a ciência que estuda o peso dos aspectos positivos da vida humana, como alegria, felicidade, bem-estar e as atitudes de “desabrochar” e “florescer”, no equilíbrio físico e mental. Seu criador, o psicólogo americano Martin Seligman, a define como “o estudo científico do funcionamento humano ideal que visa descobrir e promover os fatores que permitem que indivíduos e comunidades prosperem”.

Voltando aos relacionamentos, Daniela defende que comunicar positivamente é muito importante para conservar casamentos, amizades ou relações profissionais, sociais e familiares. “Eles se tornam mais saudáveis e duradouros, livres de mágoas”, completa.
 
Do ponto de vista da Psicologia Positiva, uma pessoa que mantém bons relacionamentos ganha muito com a interação e o apoio do outro.  Ter alguém para ‘cuidar’ e sentir-se ‘cuidado’ – assim como compartilhar a vida, eventos, pensamentos e sentimentos – torna o ser humano mais apto a lidar com as dificuldades e a comemorar experiências bem-sucedidas.
 
A base de qualquer relacionamento feliz é o amor incondicional. “Ele proporciona coragem para ir em busca das coisas realmente significativas e prazerosas. Por meio desse forte sentimento, experimenta-se a liberdade para seguir paixões e habilidades”, reforça a psicóloga. “O amor incondicional é necessário para a obtenção de gratificação imediata em uma relação feliz, porém, é preciso algo mais: é impossível sustentar a felicidade sem um significado para o relacionamento”.
 
Daniela Levy cita exemplos de situações positivas que reforçam laços entre as pessoas:
 
Amor incondicional se traduz em segurança – O psicólogo inglês Donald Winnicott observou que, em crianças que brincavam próximas de suas mães, o nível de criatividade era maior do que naquelas que brincavam distantes. Isso porque elas arriscam mais, caem e levantam novamente e tentam executar tarefas de várias maneiras por se sentirem seguras na presença de uma pessoa que as ama incondicionalmente. “Saber que somos amados incondicionalmente cria um espaço psicológico de segurança e proteção”, explica Daniela.
 
Casamento: você precisa estar casado ou quer estar casado? – Muitas pessoas ficam casadas por sacrifício ou acomodação, o que acaba gerando infelicidade e frustração. O fato de o parceiro saber que continua com a outra pessoa por precisar estar e não por querer estar elimina qualquer significado e prazer que poderia existir na relação. “Quando a pessoa está constantemente abrindo mão do significado e do prazer pelo outro, e a relação não é equilibrada nesse sentido, não há como ser feliz”, adverte.
 
Muitas vezes a separação ocorre por falta de entendimento do que é o amor. A relação requer um conhecimento mais profundo dos valores e das paixões do parceiro. Para o amor crescer, ambos precisam estar dispostos ao reconhecimento de desejos, medos, fantasias e sonhos um do outro. Esse processo de conhecimento é infinito, pois há sempre mais coisas a serem reveladas – sempre há mais para ser descoberto. “Assim a relação fica mais interessante e estimulante”, observa a psicóloga.

 

Especialista prega o conhecimento mútuo dos desejos do parceiro para um relacionamento feliz
 

Cultivo da intimidade: conhecer e ser conhecido – A noção errada de que “achar um amor” garante eterna satisfação e felicidade na relação é um engano. Da mesma forma, engana-se quem pensa em encontrar o emprego dos sonhos, o lugar ideal para trabalhar e, assim, não precisar trabalhar duro. Isso não é diferente em qualquer relação: o desafio está na habilidade em cultivar e conquistar a intimidade.
 
Cultivar a intimidade envolve conhecer e ser conhecido. No casamento, é importante engajar-se em atividades que tenham significado e sejam prazerosas para os dois. Ao longo do tempo, conhecendo cada vez mais um ao outro e exercendo juntos atividades prazerosas para ambos, é que se constrói a fundação para um terreno fértil de amor e felicidade, e também para lidar melhor com as tempestades inevitáveis.
 
A regra também vale para relacionamentos entre amigos, familiares e até no ambiente de trabalho. Nesse caso, a intimidade pode se dar de maneira diferente, com a observação e o conhecimento mútuo de interesses comuns.
 
Passado feliz fortalece a relação do presente – Expert em relacionamentos, o psicólogo norte-americano John Gottman consegue prever o sucesso de uma relação baseado em como o parceiro descreve seu passado. Ele conclui que, quando os parceiros relatam os aspectos felizes do tempo que passaram juntos, a relação tem mais possibilidade de prosperar. Valorizar as experiências significativas e prazerosas do passado e do presente fortalece a relação.
 
Gratidão – Em suas aulas, Martin Seligman – que desenvolveu a teoria da Psicologia Positiva – solicita que os estudantes escrevam uma “carta de gratidão” a uma pessoa que escolham livremente. Este simples exercício geralmente tem efeito profundo nos dois: quem escreveu e quem recebeu a carta, e, consequentemente, na relação. “A carta de gratidão é uma análise minuciosa do significado e do prazer que derivam da relação, seja qual for o ambiente; nela, descrevem-se experiências particulares e dividem-se sonhos”, conclui.

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