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Blog Bem Zen

Projeto pioneiro de universidade vai incluir novo alimento no cardápio das escolas públicas

Saudável, nutritivo, saboroso, abundante, sustentável e economicamente viável. Essas são algumas características da ainda pouco conhecida anchoíta. Peixe que, na próxima semana, será oferecido em refeição para milhares de crianças da rede pública de ensino do Rio Grande do Sul.

Por conta de seu tamanho pequeno – entre 12 e 17 centímetros – a anchoíta não despertou até então o interesse da indústria pesqueira no Brasil. No entanto, pesquisadores da Universidade Federal de Rio Grande (FURG), através de estudos, identificaram uma grande quantidade do peixe (semelhante à sardinha), na costa sul brasileira e a oportunidade de fazer do pescado uma alternativa de alimento economicamente viável.

“A anchoita processada no nosso projeto permitiu gerar uma alternativa alimentar extremamente nutritiva, pois possui baixo teor de gordura e de sódio, alta concentração de ômega 3 e ômega 6, que são benéficos ao sistema imunológico, previnem doenças cardíacas e há, até mesmo referencias, à prevenção do câncer”, explica o coordenador do projeto, o oceanógrafo, Lauro Saint Pastous Madureira.

De 8 a 11 de novembro, ocorrerá o teste de aceitabilidade na merenda escolar da anchoíta. Mais de 50 mil estudantes do ensino fundamental irão experimentar o peixe em massa com molho de tomate. Após a refeição, os alunos vão responder um questionário sobre a degustação do alimento. A avaliação é o instrumento utilizado para verificar se novos alimentos ou novas preparações serão aceitos pelas crianças e adolescentes. Este teste avalia como os estudantes aceitaram o novo alimento que é saudável e nutritivo.  No entanto, alguns municípios do estado, por não terem uma tradição em comer pescado, podem ter uma menor aceitabilidade.  Neste caso o resultado do teste servirá para identificar onde deve ser feito um esforço de educação alimentar. Além disso, os alunos receberão aulas sobre a ecologia da anchoíta aprendendo sobre as correntes marinhas que trazem este pescado à nossa costa, assim como sobre sua reprodução e alimentação.

Mercado para anchoíta

“O pescado possui grande potencial de mercado, seja institucional, seja para a produção de iguarias como anchoíta enlatada com azeite de oliva ou o aliche, produzido na Europa e vendido a altos preços”, destaca o oceanógrafo.  De acordo com Madureira, a anchoíta apresenta um potencial estimado de captura sustentada, sem colocar em risco o estoque desse recurso, da ordem de 100 mil toneladas por ano, em especial no sul do país e em menor escala no sudeste. “É a única espécie considerada a capaz de aumentar a produção de pescado marinho no Brasil e deverá complementar a oferta de pescado no país”, comenta.

Atualmente, o Brasil consome cerca de 550 milhões de latas de sardinha ao ano, o que representa apenas 2,9 latas por ano por habitante.  Nos últimos anos, o país tem importado entre 45 e 50 mil toneladas de sardinha ano para atender a indústria em complemento as cerca de 50 mil toneladas pescadas em nossa costa. O custo de importação é de cerca de 30 milhões de dólares ano.

A anchoíta aparece na costa brasileira em safras, os cardumes começam a surgir a partir de junho e o período de pesca estende-se até outubro/novembro. O estoque do peixe é compartilhado entre Brasil, Uruguai e Argentina e os cardumes migram entre  as águas destes três países.

Sobre o projeto Anchoíta

O projeto da anchoíta surgiu com o intuito de introduzir no cardápio dos brasileiros uma alternativa alimentar extremamente nutritiva. As pesquisas iniciaram em 2005, com financiamento Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).  Em 2010 o Projeto Anchoita teve um novo financiamento desta vez com a participação direta do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), do CNPq e da Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação, em um investimento estimado em R$ 4,2 milhões.

O projeto conta com uma equipe multidisciplinar composta por oceanógrafos, químicos, engenheiros de alimento, economistas, engenheiros de computação, nutricionistas, engenheiros eletrônicos, biólogos, administradores, tripulações de barcos de pesquisa e de barcos de pesca, além de empresas e pessoal de linha de produção.

A coordenação é realizada pelo Instituto Oceanográfico da Universidade Federal de Rio Grande (FURG), onde também participam os setores de Química e Engenharia de Alimentos.  O projeto atua diretamente com o Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição do Escolar Sul (Cecane Sul) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no qual também participam os setores de Química e Tecnologia em Alimentos.  O projeto conta com a parceria com secretarias de Educação da Capital e de Rio Grande.

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