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Blog Bem Zen

Sentir a vida… ou sentir algo sobre a vida

“Fulano anda muito Zen”, “Hoje estou totalmente Zen”, “Isso está Zen demais pro meu gosto”… fomos nos acostumando a falar/ouvir sobre o Zen. Semana passada, aqui mesmo, escrevi sobre o retiro Kyol Che que acontece este mês em Nova Friburgo, Rio, e mandei ver no título: “Um bom dia é um dia Zen”.
Quase sempre ocorre assim no mundo das palavras: quanto mais a gente ouve/usa alguns termos, mais o significado vai se diluindo… cada conto é um conto! Também é assim com o Zen. É o preço, digamos, das últimas décadas de aproximação Oriente-Ocidente e de nosso ainda anêmico conhecimento sobre as práticas milenares para a transcedência: alguma coisa sempre se perde quanto à precisão dos conceitos e, neste caso, sobre o que seria o verdadeiro “espírito Zen”. Mas todo risco vale a pena nesta trilha!

Nesta trilha que faz a síntese Oriente-Ocidente, em permanente construção, o nome de Alan Watts (1915 – 1973) é praticamente um mantra. Nascido na Inglaterra, Watts já na adolescência encontrou o budismo. E com Buda, a meditação. Estudou filosofia, religião, antropologia e acabou conhecendo o professor D.T Suzuki – autor de Essays in Zen Buddhism e cujo pensamento influenciou a redação de seu primeiro livro (de 1936), intitulado exatamente O Espírito Zen.
A editora L&PM já realizou duas ou três edições de bolso (L&PM Pocket – www.lpm.com.br) da obra inaugural de Watts, que recomendo a todo(a)s o(a)s interessado(a)s em compreender as origens e as técnicas do Zen, seu papel na civilização do Extremo Oriente e aspectos da vida em comunidades de meditação.
“O Zen exerce uma peculiar fascinação nas mentes cansadas de religião e filosofia formais. Desde o início, o Zen dispensa todas as formas de teorização, de instrução doutrinária e de formalidade sem vida…” – diz A. Watts na introdução de O Espírito Zen.

Seguimos um pouco mais com a introdução de Alan Watts para este livreto imperdível: “O Zen é fundamentado na prática e numa íntima experiência pessoal da realidade, ao passo que a maioria das formas de religião e filosofia ficam só na descrição emocional ou intelectual. Isso não quer dizer que o Zen seja a única e verdadeira senda para atingir a iluminação. Tem-se afirmado que a diferença entre o Zen e as outras formas de religião é que todas as outras sendas vão fazendo curvas, galgando lentamente a montanha, mas o Zen… põe de lado todos os obstáculos e se move em linha reta na direção do objetivo… o Zen é uma vigorosa tentativa para entrar em contato direto com a verdade sem permitir que teorias e símbolos se interponham entre o conhecedor e o conhecido. Num certo sentido, o Zen é o sentir a vida em vez de sentir algo sobre a vida”. 

 

 É de 20 anos depois (1957) o mais conhecido dos livros de A. Watts – O Caminho Zen. Nos anos anteriores desse seu “best seller”, Watts  lecionava em San Francisco (EUA) na Academia Americana de Estudos Asiáticos. Foi um dos expoentes da revolução dos anos 60, incluindo experiências com a parte “drogas” da trilogia que tem ainda sexo e rock´n´roll. A obra de Alan Watts incursionou com grande qualidade entre temas que vão da religião à psicoterapia, tendo sido um dos pioneiros a apontar para questões de ecologia.
Dou-lhes um pouco mais sobre o Zen, na voz de Watts: “Assim como muitas das palavras-chave da filosofia oriental, ZEN não tem um equivalente exato em outras linguas. Trata-se de uma palavra japonesa, derivada do chinês CH´AN ou CH´AN-NA, que por sua vez é corruptela da palavra sânscrita DHYANA, usualmente traduzida como “MEDITAÇÃO”. Mas esta é uma tradução errada, porque, para um inglês, “ meditação” significa pouco mais do que o pensamento profundo e a reflexão, enquanto na psicologia da Yoga Dhyana é um elevado estado de consciência em que o homem encontra a união com a realidade definitiva do universo…”.

Assim, muitas vezes estará errado dizer “fulano anda muito Zen” quando o tal fulano parece estar pasmo, desligado, sem energia, preguiçoso até, num estado de “ausência”. Mas será correto dizer “hoje estou totalmente Zen” se quem assim disser estiver conectado a um sentido de unidade com o fluxo da vida, sem intereferência da mente – seus conceitos, idéias, julgamentos – mas em absoluto estado de “presença”.
O próprio Alan Watts diria: “… se ZEN é para ser traduzido, o equivalente mais próximo é “ILUMINAÇÃO”, mas mesmo assim o Zen não é somente Iluminação, é também o caminho para sua conquista”.
* As boas casas do ramo terão a edição de bolso da L&PM para o O Espírito Zen, mas você pode tentar diretamente com a editora através de info@lpm.com.br ou vendas@lpm.com.br.

Comentários

  1. Jairo says:

    Muito bons seus comentários/sugestões BAskhar…
    Obrigado…
    Jairo

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