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Ser social: Kardecismo fala sobre a vida em sociedade

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"Porque nenhum de nós vive para si".
(Paulo aos Romanos,14:7)

Na Natureza tudo se serve, tudo se encadeia, desde o ser mais simples até o mais evoluído. O Sol atende ao seu sistema fornecendo luz e calor para promover uma reação que mantém os elementos vitais em circulação, sustentando a vida em todos os planetas. Os planetas em suas órbitas, se posicionam de tal forma, que um mantém o equilíbrio do outro, além do seu próprio, obtendo uma harmonia em todo o sistema.

Para que tenhamos a eletricidade, necessitamos de um rio com volume de água suficiente para movimentar a usina geradora de energia elétrica. Para manter a água necessária precisa-se da chuva. Para que a eletricidade chegue ao seu destino, são necessários fios condutores e assim por diante. Tudo isso funcionando em perfeita sintonia nos fornece a energia suficiente para mantermos nossos lares com iluminação e todos os aparelhos eletrodomésticos que nos servem em nosso dia a dia.

Hoje, com a chamada globalização, os países envolvidos necessitam manter suas economias atualizadas e equilibradas, porque se algum deles provocar alguma anomalia, todos os outros sentirão o efeito negativo. Caso contrário, tudo estará bem e funcionará normalmente, com as populações desses países, tendo empregos, alimentos e conforto. Pois é, assim temos exemplos de como cada um de nós deve agir para manter o nosso próprio equilíbrio e de todos aqueles que nos rodeiam e vivem em função de nós.

Em O Livro dos Espíritos, foram respondidas questões sobre o assunto, onde espíritos afirmaram: "A vida social está na Natureza. Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação. O isolamento absoluto é contrário à Lei Natural, pois os homens buscam a sociedade por instinto e devem todos concorrer para o progresso, ajudando-se mutuamente. O homem deve progredir, mas sozinho não o pode fazer porque não possui todas as faculdades: precisa do contato dos outros homens. No isolamento, ele se embrutece e se debilita."

O Codificador, em nota a essas respostas, acrescenta: "Nenhum homem dispõe de faculdades completas e é pela união social que eles se completam uns aos outros, para assegurarem seu próprio bem-estar e progredirem. Eis porque, tendo necessidade uns dos outros, são feitos para viver em sociedade e não isolados."

Podemos observar, assim, que a sociedade necessita de criaturas que cooperem umas com as outras para que o progresso geral se estabeleça. Dizem os espíritos, que os maiores obstáculos ao progresso são o egoísmo e o orgulho. O egoísmo e o orgulho extremados quebram a harmonia entre os homens, pois são eles que entravam o progresso moral, provocando a discórdia, a malevolência, o ciúme, o sofrimento atroz, chegando a afastar o homem da vida social, levando-o à ruína. Para compreendermos o efeito negativo do egoísmo e do orgulho, buscamos o livro Fábulas e Lendas, de Leonardo da Vinci, uma adaptação do conto "A árvore orgulhosa".

Diz ele:

"No meio de um jardim, junto a muitas outras árvores, havia um lindo cedro. Crescia a cada ano que passava e seus galhos eram muito mais altos do que os galhos das outras árvores.

Tirem daí essa castanheira! - disse o cedro, inchado de orgulho ante a sua própria beleza. E a castanheira foi removida.

Levem embora aquela figueira! - disse o cedro - Ela me incomoda. E a figueira foi arrancada.

Tirem as macieiras! - prosseguiu o cedro, erguendo alto a sua bela cabeça. E as macieiras se foram.

Assim, o cedro fez com que uma a uma, todas as outras árvores fossem arrancadas, até ficar sozinho, dono do grande jardim. Um dia, porém, houve uma forte ventania. O lindo cedro lutou com todas as forças, agarrando-se à terra com suas longas raízes. Mas o vento, sem outras árvores para detê-lo, dobrou e feriu o cedro. Finalmente, com grande estrondo, derrubou-o ao chão."

*Elio Mollo, estudioso da Doutrina Espírita

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