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Renovação: O mel de Nossa Senhora

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Desde os primórdios da humanidade, os oprimidos e excluídos da vida - o sofrimento carrega sempre consigo uma semente de esperança - são deixam de suspirar por uma "Terra sem males", uma "Terra Prometida", que no fundo parece não ser senão uma saudade do "Paraíso Perdido": «Vi a opressão do meu povo no Egito, ouvi suas queixas contra os opressores e prestei atenção a seus sofrimentos. E desci para livrá-los dos egípcios, para tirá-los desta terra e levá-los a uma terra fértil e espaçosa, terra que mana leite e mel» (.Êx 3, 8).

Na prática, porém, se os judeus buscavam uma alternativa ao sofrimento do Egito, acabaram decepcionados com a dura realidade que os esperava após os quarenta anos de deserto, tanto que Moisés precisou enfrentar várias revoltas dos que, julgando-se enganados, estavam convencidos que a verdadeira terra onde corria leite e mel era o Egito. Aliás, não foi por nada que alguém - certamente mais espirituoso do que exegeta - pensou que Moisés morreu de ataque cardíaco ao verificar, do alto do Monte Nebo, que a terra tão suspirada não passava de pedregulhos e espinheiros. Mais ou menos como os sem-terra de hoje, que lutam anos a fio e, ao receberem o lote ambicionado, percebem que as dificuldades, ao invés de diminuírem, continuam idênticas, quando não maiores!

Graças a Deus, no século XXI, é ainda grande o número de pessoas que continua acreditando que "um outro mundo seja possível". Infelizmente, porém, algumas delas se contentam em apontar e combater os males reais ou fictícios que descobrem na sociedade, ao invés de começarem por converter e renovar a si mesmas. Assim, quando alcançam o poder, repetem os mesmos erros que antes contestavam. Agem como os judeus que, julgando-se a raça eleita, em nome de sua crença, acabavam com os povos que não concordavam com suas pretensões...

Há também os que buscam a "terra sem males" em ambientes onde o mágico, o inexplicável e o misterioso ocupam um lugar privilegiado. É o que se verifica, por exemplo, nas visitas e romarias que se organizam a imagens de Nossa Senhora - ou de outros santos -, a quem se atribuem um poder e uma força sobrenatural. Certamente, como toda mãe, também Nossa Senhora tem no coração o desejo de suavizar a vida atribulada da maior parte de seus filhos. E, talvez para demonstrar a ternura com que os acompanha, algumas de suas estátuas passam a jorrar azeite, leite e mel...

Trata-se de milagres ou de fenômenos naturais ainda não plenamente desvendados? Para a maior parte dos devotos que se dirigem para esses lugares, não há dúvidas: eles são uma manifestação divina. Contudo, se é «pelos frutos que se conhece uma árvore» (Mt 7,20), para serem sinais de Deus, esses fatos ou ambientes deveriam levar os fiéis a uma conversão mais profunda, a uma fé mais viva e a um compromisso mais sério com a Igreja. Foi o que respondeu o Papa João Paulo II ao ser questionado sobre as aparições de Nossa Senhora, em Medjugorie: «Os peregrinos que visitam o local das aparições, voltam renovados para seus lares? Passam a dedicar mais tempo à oração e a freqüentar com mais assiduidade os sacramentos? Se a resposta é afirmativa, demos graças a Deus! Nada há a temer!»

Evidentemente, de sua parte, os parapsicólogos encontram na ciência a explicação para tudo - ou para quase tudo! Em se tratando do mel, azeite ou leite vertido por imagens, falam em "aporte", fenômeno em que uma pessoa, dotada de extrema sensibilidade ou abalada psicologicamente, consegue mover objetos ou "influenciá-los" com seu poder - uma espécie de descarga psíquica produzida por telergia (energia à distância).

Para os cristãos, com a morte do último Apóstolo, concluiu-se a fase da Revelação escrita. Não é que, daquele momento em diante, Deus encerrou a sua comunicação com a humanidade! Pelo contrário, de muitas maneiras e de mil formas mantém um diálogo de vida e amor com cada um de seus filhos, através de sua Palavra eterna e definitiva, que é Jesus, oculto e revelado em cada página da Bíblia. Assim, para ser católico, ninguém mais precisa andar à cata de aparições e visões - cuja busca ansiosa pode não passar de curiosidade doentia, fruto de uma fé infantil e superficial.

No cotidiano e normalidade da vida, Deus se revela no claro-escuro da fé. A luz que ilumina os dias e as noites do ser humano nasce da maior ou menor intensidade do amor que lhe orienta os passos. O resto pode não passar de alucinação...

*Dom Redovino Rizzardo, 68, é bispo de Dourados (MS)
 

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